domingo, 27 de abril de 2008

poetas

"...quis ser um poeta que tivesse asas... e poesia em cada voo... quis ser um poeta cujas palavras vos enchesse a casa... e que vos reencontrasse em cada dor... quis ser um poeta que fosse fogo e água e sol e terra... e que com todos esses elementos criasse um novo ser... mas há poetas que são simplesmente poetas... há poetas que ainda nem sabem que o são... há poetas... imensos... tentei um dia ser um desses poetas... e sei hoje que um poeta nunca morre... faz-se em vida mesmo na morte, soltam as asas e levam-vos o vento... protegem-vos e fazem-se ao caminho convosco... peregrinam em vós... que com ele caminhais... bebeis o sorriso dos poetas... vedes pelos seus olhos, e por detrás desses olhos, uma alma que brilha e ilumina cada recanto escuro da vossa própria alma... e é em dias de negro e frio que mais precisais dos poetas... porque eles são fonte, força e semente... um poeta nunca mente... ele, o poeta, é a vossa armadura, a vossa madrugada e o fim de tarde... a vossa lua nova ou lua cheia... são perenes todos os poetas... nascem e renascem... mesmo sem nunca morrerem... nada destrói um poeta, nem a voz nem o sentir... quis ser um desses poetas que tivesse asas e poesia em cada voo... podemos ser usados, abusados, até como lixo abandonados, enegrecidos e deturpados... simplesmente somos quem somos ... podemos ser retalhados, citados e aviltados... podemos ser usados como arma de arremesso... podemos ser teorizados e complicados... podemos ser mistificados e cristalizados... podemos até servir de pasto em chamas inquisitoriais... não somos orações, nem homilias nem credos... e não nos deixamos cair... não somos ameaça do fim do mundo... não somos propriedade de ninguém... não somos espada nem guilhotina... não cabemos na pena nem no ódio de quem de nós se apropria... somos apenas poetas... somos simplesmente imensos... não cabemos em nenhuma semana nem em qualquer dia... somos de todos os tempos... não nos deixamos aprisionar por nenhuma alma negra... somos apenas asas... não somos anjos... somos apenas amor e amamos... e se agora sei, como tão bem sei, que as palavras vos podem fazem voar, que às vezes vos levam para lá do mar, em asas de vento, de dor e de amor... sei também, como sabem todos, que não há palavras nem versos, nem poesias que cheguem para transformar um poeta num anjo..."

sexta-feira, 25 de abril de 2008

sábado, 19 de abril de 2008

pronunciar

“... estendo as mãos ao futuro na ânsia de o alcançar... revejo-me nele como se fosse hoje o que estou a viver... mas depressa caio em mim e sei que estou a sonhar... nada mais que um breve sorriso e um beijo nuns lábios sedosos, como mel que ainda escorre na minha pele... um doce desejo de voltar a sentir esse doce desejo de abraçar-te num voltear de dança parada na imagem do momento ali focada... num sentir que nada se sente para além do amor que existe mesmo e não nos mente... lateja nas nossas faces de rosadas que se tornam da loucura que nos invade e das mãos que se movem na procura... cabeças que se tocam e se enlaçam em cabelos revoltos misturados com os dedos que os afagam... e os braços remetidos à sua função de prender ali, naquele momento, a eternidade do abraço... e os olhos se olham, se miram e sorriem enquanto os lábios se molham no mel de um beijo prolongado, húmido, molhado, doce doçura de tanta candura e desejo... e a boca de vez em quando entreaberta para pronunciar a palavra certa, a palavra aguardada, descoberta, límpida de tudo e do nada pela simplicidade da verdade que existe quando se pronuncia o quanto se ama, o quanto nos preenche e nos invade a Alma...”

terça-feira, 15 de abril de 2008

domingo, 13 de abril de 2008

fome nua

"...circula na net uma petição a favor da condenação de um artista plástico (chamar-lhe-ía besta quadrada) pela exposição que já realizou onde permitiu a morte de um cão à fome e à sede ali assim em presença de quem passava e via... ninguém reagiu, nem as pessoas, nem as autoridades, ninguém... prepara-se agora para nova "demonstração" chamando-lhe arte... as pessoas movimentam-se em acções para que ele não o faça o que acho muito bem... mas, como posso eu assinar uma petição a favor de um animal se os animais somos nós, todos nós, que não nos movemos, que não fazemos nada perante o quadro que se nos depara no dia a dia sobre o nosso irmão, o ser humano que à luz do dia, à luz do Mundo cruel em que vivemos, assiste impávido e sereno, à sua morte... a crueza da imagem dá-nos a dimensão da petição que deveríamos assinar contra os chamados senhores da guerra que gastam biliões em armas que tão bem poderiam ser gastos em pão... lamento, mas não consigo assinar essa petição por muito asco que tenha desse pseudo artista sem alma..."

quarta-feira, 9 de abril de 2008

incondicionalmente

“… tivesse eu as capacidades de um deus, mesmo dos da antiguidade, de um Zeus, de um Júpiter ou mesmo de um Marte ou até mesmo, porque não, duma Diana… tivesse eu os poderes de tudo demonstrar sem ter de provar, ou seja, bastar ser e não ter de provar que sou o que sou ou quem sou… tivesse eu toda essa força mágica e logo seria a mais pura prova do que há muito persigo: seria o Amor transformado em entrega, seria o Amor pleno, aquele que vive de si mesmo para se bastar e na totalidade se entregar… o Amor que deixaria de o ser para passar ao patamar superior do estatuto da fórmula única da vida plena que é Amar… passamos tempos e tempos sem sabermos o que é isso do Amor ou como é que se Ama e um dia, sem sabermos como, tudo surge ali, à nossa frente, sereno, demonstrativo da nossa anterior ignorância e dizendo-nos bem no nosso interior que o Amor está aqui dentro de cada um de nós e, como tal, livre de ser entregue ao próximo… e é nesse momento, quando o Amor sai de dentro de nós e o entregamos a alguém que ele se transforma numa dádiva e assim, de uma forma tão simples, passamos a Amar… esta entrega, esta forma de se estar na vida, pressupõe a inexistência de condições incluindo o não retorno, ou seja, amar mesmo que não nos amem… essa é a única forma de provar a nós mesmos que estamos a Amar e não tão pobremente apenas a gostar… é por isso que estou sempre a falar do mesmo, a batalhar todo o tempo na tentativa de demonstrar, sem ter de provar, que Amar é a minha forma de ser… tentar provar que se ama é uma forma de se negar a si mesmo porque quem ama não precisa de se afirmar: entrega-se, apenas… entrego-me a ti nas mais pequeninas coisas, mesmo até nos elementos que não são visíveis mas que existem, que estão lá, em ti, vindas de mim… entrego-me a ti sem perder a minha identidade, sem deixar de ser eu mesmo mas o que sou o transmito, o envio, o entrego em totalidade… entrego-me a ti em serenidade, em luz, em paz, em harmonia, com força, com garra, com espírito e alegria… entrego-me a ti num sorriso, num toque, numa palavra, numa frase… entrego-me a ti num beijo, num corpo, numa alma, com a totalidade do meu eu… entrego-me a ti tal como sou, impuro talvez, mas com doçura, em humildade e sem qualquer altivez… entrego-me a ti por amor…”

quinta-feira, 3 de abril de 2008

o meu caminho

“… interrogamo-nos a todo o momento sobre o porquê de certo facto que nos surge ou nos acontece… indagamo-nos sobre o seu possível significado ou sobre o que, porventura, possa querer dizer ou, na maior parte das vezes, de nada valerem ou terem o desejo de serem mensagens ou sussurros do nosso consciente ou mesmo, quiçá, do nosso subconsciente… mas existem factores aleatórios (e outros não) que nos passam pela vida, pela nossa frente, ao nosso lado e não os vemos, nem os sentimos ou apenas não lhe damos valor… e, como se costuma dizer depois: aconteceu porque tinha de acontecer… verdade, talvez… talvez, na verdade, as coisas aconteçam porque têm mesmo de acontecer… o karma, o destino, o fado, sei lá que mais, tantas e tantas desculpas para não aceitarmos que as coisas estão ali ao nosso lado ou à nossa frente porque apenas e tão só fazem parte de nós mesmos… ou, por outro lado, nós fazemos parte delas, num só Ser, num só Estar, numa só Unidade… o mesmo se passa com o Amor ou com o Amar (coisas diferentes, como já o tenho dito várias vezes)… ele, o Amor ou ele o acto de Amar, estão presentes no nosso dia a dia, ao nosso lado, à nossa frente e, tantas e tantas vezes não o vemos (ou não o queremos ver)… então, se se estiver atento, sentimos a presença dele, do Amor porque mesmo que não perto de nós, não ao nosso lado ou nem à nossa frente, o Amor está connosco, dentro de nós… e é ele que, saindo de dentro de nós se transforma na mais pura forma de se estar na vida que é Amar… é esse estado que eu vivo a todo o momento, é por isso que o sinto dentro de mim, que o tento dar-te num gesto, numa palavra, num ouvir-te, num toque, numa forma qualquer que te faça saber que o meu Amor existe, que é puro e que é a única forma que tenho de viver… vivo para Amar, para te amar porque esse é o meu caminho para o teu amor por mim…”