terça-feira, 31 de agosto de 2010

Hoje, 20.00 h... ocaso a oeste do meu quintal

E em ti me eternizo

“…os meus olhos pousam em ti e todos os meus sentidos te olham num delirar mútuo de atenção... vejo o teu corpo e deleito-me na tua alvura... cheiro o teu cheiro e aspiro a tranquilidade da tua paz.... ouço o teu respirar lento, como um lamento que não lamento… as minhas mãos tocam os teus cabelos e envolvem-se neles... acerco-me de ti e te toco... te sinto global e ali inteira frente a mim... beijo a tua boca e tudo se torna como num festim de doces carícias e sabor a sal... estou inteiro no teu corpo inteiro e me sinto nele como sinto o teu corpo em mim... é apenas um abraço, um enlace de braços que apertam sem apertar, sentindo apenas o teu respirar... minhas mãos percorrem a tua pele acetinada linda... fecho os olhos procurando apenas sentir… e sinto o desejo crescer em mim e o teu arfar sobe de tom... como é bom... a minha boca se cola na tua boca e a minha língua se funde dentro dela como se da tua se tratasse... é apenas mais um enlace... sinto o teu peito quente junto ao meu e beijo teus mamilos num acto de procura da loucura... loucura que me invade lentamente, premente ali presente ou então como se tudo mais estivesse ausente... meus braços te envolvem e se descobrem momento a momento como se fosse a primeira vez que no teu corpo se movem… sinto o cálido odor do teu corpo quente de amor, oferecendo-se como numa espécie de orgia sem pudor... minhas mãos tacteiam centímetro a centímetro toda a tua pele, todos os recantos de teus encantos e se encontram, de repente, sobre o teu ventre quente, dolente... afago tuas coxas e as tuas ancas e as aperto contra mim… procuro o teu sexo e o acaricio... beijo-te completamente num único beijo e me torno desejo do teu próprio desejo…te envolvo num abraço mais e te penetro… és tu que me possuis... não te tenho, és tu que me tens... movimentos doces se entrelaçam como se não fossemos dois mas um só... os nossos corpos se fundem num arfar profundo de prazer e loucura... já não sei o que sou, apenas em ti estou... eu sou tu e tu és eu numa fusão de ser e estar... na verdade és tu que me possuis pois eu não te tenho, és tu que me tens pois em ti eu me dou... e em ti eu me eternizo…”

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Tela

“…gosto de desenhar no meu corpo a pura entrega de quem ama… gosto de desenhar na minha alma a luz dessa verdade… escrever com os meus olhos a leitura da saudade… garatujar nos sons as palavras sussurradas… saborear na boca, nos lábios a doçura do mel do teu beijo desenhado desejo de quem procura o abraço esperado… gosto de desenhar nos teus ouvidos as letras que formam os sentidos… desenhar, por fim, já por sobre o esboço da obra final de quem no auge do encontro sente-se sonho sabendo ser real… pairar na tela do teu corpo e desenhar as cores do amor que num todo se move completo no ser que temos por modelo… e sendo-o, tê-lo, possuí-lo e transformar a obra num plano final que dá ao desenho o toque especial como que uma assinatura sobre a obra acabada… depois, ficar a mirar tudo o que havia sido feito para ter ali, na minha frente, a concretização do sonho e saber que todas as palavras ditas ou as desenhadas ou as escritas houveram sido assimiladas, saboreadas e entendidas como brotadas de dentro do meu ser… gosto de desenhar sim, no teu corpo, o meu eu e no fim ao olhar a tela preenchida em ti soubesse ali ter tudo o que havias querido da presença do meu amor…”

domingo, 29 de agosto de 2010

Desejo

“...te vejo ali, parada, me olhando só... não há palavras, nem medos, nem lágrimas... há apenas um olhar profundo e um toque suave como se fosse o toque mais importante deste mundo... te olho e te fixo a alma... te possuo mesmo antes de te tocar, de te amar, até mesmo antes de te olhar... é tudo muito mais forte do que o meu querer... olhar-te bem dentro mesmo sem te ver... sentir-te só de te desejar, ali, parada numa pose linda, somente a me olhar... fixo tua boca e te sorvo completa... te abraço sem te abraçar... te afago sem afagar... te penetro sem te penetrar... está tudo ali, em ti, a meu lado... basta te desejar... e meus olhos já te possuíram... e teus olhos já me abraçaram... e teus olhos já me sentiram... ali, sem questionar, me estendes a mão... vejo teu corpo a arfar.... e sentes minhas garras te tocar... e teu corpo em minha alma se entregar... tudo tão simples: apenas o desejo de te desejar...”

sábado, 28 de agosto de 2010

Trago comigo

"...trago comigo a seda do teu cabelo, a maciez do teu beijo, a doçura do teu toque, o brilho do teu olhar, a atenção do teu escutar... trago comigo, na minha pele, na minha alma, no meu coração, a tua essência aqui brotada em mim durante os momentos da fruição dos seres que se tomam serenos mesmo num simples abraço... é apenas um hiato de tempo este espaço que nos separa... de resto, tudo está aí como tudo está aqui... um saber de um sabor a sentidos vividos em amor..."

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O deleite do amor

“… o teu corpo doce, deitado no leito, de pura seda acetinada feito, exalava o perfume perfeito… deixava antever, sem te tocar nem sentir, o esbelto prazer de olhar para ele e bastar sorrir… mais não seria necessário se a força do desejo se quedasse por ali… mas a languidez da libido perfurava todo o sentido em te possuir… aproximei-me de ti sem te olhar e sem que me visses… era apenas um desejo que bastava que sorrisses para que eu parasse e não prosseguisse… mas os teus lábios carnudos abriram-se em pétalas desnudos e me sorriram num convite perfeito… o ardor estava ali, a teus pés e meu corpo teceu o desejado amor de tudo o que depois aconteceu… volteámos a alma, os sentidos, a voz rouca, o arfar da pele, o toque no teu mar e o saboroso doce a mel… perfurei tuas entranhas em doces movimentos com forças tamanhas que te fizeram sugar teus próprios gemidos… a doçura perdura dentro de nós e antevê-se nos nossos olhos o desejo de, novamente, a sós, voltarmos a ser um só corpo e um só desejo num derradeiro lampejo de profunda paz… o deleite do amor que ele nos traz…”

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Plena entrega

"... abre-me os teus olhos e deixa-me mergulhar no teu olhar... abre-me os teus braços e deixa-me enlaçar no calor de um abraço... abre-me os teus lábios e deixa-me sentir o mel do teu beijo... abre-me o teu corpo e deixa-me ser possuído pelo desejo... abre-me a tua alma e deixa-me penetrar o teu ser... sentir tudo o que sei teres para me dar... amor de tanto amar... abre-me os teus ouvidos e deixa-me sussurrar as meigas palavras que tanto gostas de ouvir... e pele com pele sabermos que somos e sentirmos o doce aroma do mar que nos embala no cheiro da maresia que de nós mesmos exala... olharmos o interior do sermos apenas um acto de amor... mergulhar na seiva que a pele produz no sabor pleno em que tudo se transforma em luz... e o sol nos sorri, numa conspiração mútua do que ele sabe sobre mim e sobre ti... e o calor que nos abrasa arrefece-o porque mais forte que ele... e o amor preenche o momento em que nada mais somos do que pétalas suaves vogando nos ares como as asas das aves... e o seu planar, em pleno voo, de tanto sentirmos, tu te me entregas e eu a ti me doo...”

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Férias

...eu preciso de dar férias aos meus olhos
...por essa razão este blogue vai estar parado durante uns tempos
...estarei presente em espírito e o "Lobo" estará sempre aqui
...um abraço a toda a gente que me visita
...até breve

terça-feira, 3 de agosto de 2010

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Decidir e agir

"...Há sempre algo que nos impede de fazermos o que achamos que não devemos fazer... como que, dentro de nós, houvesse uma espécie de censura que velasse pelas nossas acções... O que podemos e o que não podemos fazer é algo que, primeiro, vai à loja da censura e só depois segue para fabrico... A forma final do produto é que poderá ser diversa daquela que foi projectada... Onde nos leva tal atitude?... Que castração nos provoca semelhante sujeição?... Porque não fazemos apenas o que nos apetece fazer?... O que é isso de consciência?... Uma espécie de balança com uma série de pratos onde são pesados todos os prós e os contras daquela acção planeada... Porém, porque razão agimos de imediato, sem pensar, em momentos de crise duma forma a que chamamos de instinto?... Ou será que mesmo antes de agir instintivamente, a loja da censura funciona mesmo sem darmos por isso?... Será que há, na mesma, um pesar na balança?... Saltamos de imediato para o lado para evitarmos ser atropelados por uma carro mesmo sem vermos que podemos cair na valeta cheia de água suja da sarjeta... fugimos rápidos, em caso de incêndio por exemplo, da varanda para a rua sem olharmos à altura que nos separa dela e sem pensarmos que podemos partir uma perna... Porém, no dia a dia das nossas acções habituais de vida em que o instinto não é preciso, as nossas atitudes são “pesadas” antes de as tomarmos, como se de uma poção mágica se tratasse e fosse preciso tomar a medida exacta... Então, hesitamos antes de agir e somente depois actuamos... As nossas escolhas devidamente pensadas tanto podem dar para o certo como para o torto... não há maneira de sabermos se aquela decisão, ainda que devidamente gerida e equacionada, vai resultar em pleno... Mais tarde é que saberemos o resultado... Na verdade e a experiência mostra-nos isso, quando usamos o instinto, verificamos o resultado da acção então utilizada, de imediato, quer seja bom ou mau... também, de imediato, ficamos felizes ou infelizes com a opção tomada... Já quando apenas a tomamos depois de devidamente ponderada a questão, somente muito depois veremos o resultado... e até podemos viver angustiados aguardando o desfecho... será que fiz bem, será que fiz mal?... E agora?... Bem, só tenho que aguardar e esta espera, esta expectativa provoca angústia, provoca danos, provoca dor... Que faço?... Escrevo um texto sobre que tema?... Bem, vamos lá ver... Penso, repenso e nunca mais me surge a inspiração para desenhar algumas letras sobre um tema que nunca mais se faz luz em mim... Então, de imediato, começo a teclar instintivamente... saiu o que acabaram de ler... ao mesmo tempo que escrevia ia vendo o resultado de imediato daquilo que surgia no monitor... Não houve angústia... não houve dor... Utilizem o instinto o mais que puderem... Vão ver que, geralmente, dá certo... Também o pior que poderá acontecer é terem de perder tempo a ponderar a questão... Mas será que ponderar é assim tão mau?... Não sei, a decisão é sempre individual... Façam o que vos aprouver... façam o que vos der na real gana... Sejam felizes nem que para isso seja preciso chorar um pouco... É que, às vezes, umas lágrimas clarificam a situação e o panorama, após o choro, é um pouco mais claro!..."

domingo, 1 de agosto de 2010

sábado, 31 de julho de 2010

O nome do meu amor

"...desce-me pela garganta o sabor do seu nome... entra-me pelos olhos a visão do seu nome e todos os meus sentidos percebem o seu nome... é como algo físico em si mesmo elaborado e expresso em sabores diversos... são sentidos como formas de ternas ocorrências nos momentos em que o seu nome é pronunciado... não é só o ouvir que me delicia, é também toda a sua forma e todo o seu significado... nada tem de extraordinário... é tão simples, tão normal e tão suave... de tudo o que ele é formado, é apenas uma única coisa mais: é o nome do meu amor!..."

sexta-feira, 30 de julho de 2010

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Estrelas

“…deleito-me no leito de seda feito num sonho perfeito em que sem jeito me sinto vogar em teu peito… supero a minha ânsia de te tocar, de te embalar nos meus braços, soltos, livres, sem laços e passo para além do sonho em que vagueio na penumbra do teu quarto no qual nunca me farto de pairar e para ti olhar… e sinto-te plena de vida e de tudo o que quero alcançar… e sinto-te plena de tudo o que em mim pulsa sem parar… deleito-me tão-somente por te ver, ao ouvir o teu respirar… sei que teu ser pleno de vida me envolve na seda do sabor da minha ida como no amargor da minha partida… e em cada momento que me envolve, momento que a mim devolve todo o sentir que me percorre, eu sei-o pleno de amor, de ternura, de sabor, de doçura… e esse sentir, e esse saber ou esse sabor, bastam-me para voar de novo em pleno e suave voo em asas que não ouso usar mas que preenchem o meu modo de te amar… e o sonho vagueia de novo, nas noites de luar ou numa de lua nova que faz com que as estrelas te venham espreitar…”

quarta-feira, 28 de julho de 2010

terça-feira, 27 de julho de 2010

Sentir

“... és sinónimo de paz, na palavra que me dás... és sinónimo de beleza nesse olhar profundo sem mácula de tristeza... és sinónimo de alegria no toque suave que em mim um teu sorriso cria... és sinónimo de paixão quando disfruto o bater mais forte do meu coração... és sinónimo de harmonia quando me beijas enlaçados em sintonia... és sinónimo de luz quando no escuro da noite teu amor me seduz... és sinónimo de serenidade quando no abraço matamos a saudade... és sinónimo de ternura quando na partida o teu olhar em meus olhos perdura... és sinónimo de puro amor quando nos afagamos com a alma e os corpos sem pudor... és saudável loucura quando sinto a nossa mútua procura e nos afogamos no delirar de um sentir que tudo é tão simples quando sabemos porque é que nos estamos a amar... és tudo o que um simples mortal busca na imortalidade que a qualquer um ofusca no silêncio do grito que amaina a febre do ruído que quebra tudo mesmo que fosse granito... és tudo o que o amor busca no olhar, no toque, no beijo que de momento em momento se reduz ao desejo, trazendo como prenda, tecido em flocos de doce renda, o caminho percorrido como sempre desejado, obtido e que a luz em nossos corações se acenda para num florir matinal ou num anoitecer normal, o doce sabor nos acorde ou nos adormeça em profunda certeza que o dia seguinte mais não será do que um novo fruir do amor que nos envolve e a cada momento nos devolve na mais plena pureza do aceno tão natural como há pouco sobre nós desceu... porque se te sinto minha, sei que me sentes teu...”

segunda-feira, 26 de julho de 2010

domingo, 25 de julho de 2010

Correntes

“... a vida tem correntes que nos prendem e não nos deixam vaguear... são as correntes de ferro forjadas nas condições dos agravos que ela, a vida, nos abala... a vida tem correntes que nos levam em várias direcções como as vagas de um mar encapelado ou de um rio em tormenta... são as correntes invisiveis que nos empurram para a frente... a vida tem correntes sem correntes que nos fazem estagnar... são como os lagos mansos em que nem uma folha se move e assim, presa, depressa esmorece e morre... a vida tem tudo o que podemos desejar e tudo o que não queremos e temos de aceitar... a vida é bela e doutras vezes, do outro lado dela, a vida é como o fel em que o sabor doce do mel não existe e não se deixa provar por sedentas línguas de tanta e tanta gente neste longo mar a esbracejar... porém, a vida é uma realidade que nos faz aqui estar... ela nos empurra, ela nos prende, ela nos sujeita às mais diversas e caprichosas vontades de um poder mais forte que a nossa própria força... a chamada Lei da Atracção faz com que se consiga moldar a vida à nossa maneira, só que essa mesma Lei funciona para todos e se eu atraio para aqui haverá o meu oposto que atrairá para ali... vencerá algum ou perderemos os dois?... só a vida o saberá quando dermos pelo lado em que nos encontrarmos em determinado momento... porém, nada nos impede de continuar a perseguir sempre o mesmo caminho e, como tenho dito sempre e por, talvez, demasiadas vezes, vezes a mais, amar é o caminho e não interessa qual o caminho, interessa isso sim, caminhar... mesmo que as correntes nos prendam ou nos empurrem, forcemos os elementos que nos cercam e caminhemos em frente com a firme certeza que o amor está lá, lá bem ao fundo, em algum lugar à nossa espera... não desesperemos... avancemos com redobrada força... tenhamos confiança... acreditemos que amamos, que somos fiéis e que somos verdadeiros, no mínimo com nós mesmos... viva-se o momento, momento a momento apenas com um único intento: chegar lá, chegar aos braços do ser que amamos, do ser que desejamos alcançar, mantê-lo ao nosso lado, abraçar, beijar, sentir, viver, enfim, numa palavra, amar...”

sábado, 24 de julho de 2010

sexta-feira, 23 de julho de 2010

quinta-feira, 22 de julho de 2010

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Espelho

“…torno-me espelho de mim mesmo e a luz que em mim me toca, se reflecte no exterior do meu ser… espalho o que sou no espaço em meu redor… vejo-me diverso e dividido em milhares de partículas de luz, facto que tanto me seduz… porém, receio quebrar-me em mil pedaços e perder a magia destes meus ténues passos pelo mundo da fantasia… elejo-me mentor de mim mesmo e, sereno, torno-me pleno daquilo que sou: uma partícula apenas no meio do nada que me rodeia… mas a minha imagem, por todos os lados dividida, semeia no espaço em que me insiro tudo o que tenho por pouco que seja e eu sinto que a verdade deste louco imaginar, mais não é do que o desejo de o ser, de em mil imagens me tornar e… me dar…”

terça-feira, 20 de julho de 2010

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Queria apenas ser o teu sonho

"...Em frente ao espelho da cómoda do teu quarto, sentada num banquinho forrado a tecido de cortinado vermelho, penteavas os teus cabelos, num ritual que funciona mesmo sem dares por isso... a escova passava ora uma, ora duas vezes, de cima para baixo e alisava os teus cabelos sedosos, cor de mel e de marfim... brilhavam no espelho e te revias momento a momento numa expectativa de mudança, o que não acontecia pois não podias ficar mais bela do que aquilo que já eras... a beleza em ti não residia nem morava ... era!... A tua camisa de noite, acetinada bege, de rendas sobre o peito alvo de seios firmes e redondos, deixava transparecer a cor da tua pele suave e doce ao olhar sem ser preciso tocar... a tua cama de lençóis de prata, aguardava o teu corpo numa ânsia lasciva de quem à noite, só, te espera num desespero de intocabilidade... e tu, demoravas... da cómoda tiraste um frasquinho de perfuma e te ungiste com ele o que provocou um agradável respirar a todos os móveis que te rodeavam... e a tua cama, ansiava pela tua presença... e o teu corpo demorava a conceder-lhe esse desejo... levantaste-te de frente do espelho e te miraste novamente de corpo inteiro e gostaste da tua imagem alva e bela naquele quarto iluminado pela tua presença... olhaste de soslaio e sorriste... sentaste-te na beira da cama e esta suspirou docemente perante a antevisão de que breve te possuiria... Tiraste os teus pézinhos leves de dentro dos chinelos de cetim vermelho, levantaste um pouco o lençol e te entregaste total e lentamente ao prazer de estender do teu corpo e da entrega final ao teu leito... a tua cama nem sequer se moveu... aquietou-se para não te perturbar, para que não te arrependesses daquilo que acabaras de fazer, com medo que te levantasses e ela te voltasse a perder... a tua cama inspirou baixinho a fragrância do cheiro da tua pele e deixou-se ficar aguardando o teu próximo movimento... deitada de bruços te deixaste finalmente ficar e tua cabeça leve pousada de mansinho na almofada, arfava lentamente o teu respirar de prazer por mais uma noite de descanso e de sonhos... Teus olhos semicerrados viram a lâmpada acesa e teu braço se estendeu ao interruptor da mesinha de cabeceira para a desligar; os teus movimentos eram propositadamente lentos para que o tempo demorasse ainda mais do que aquele que já existia... e a tua cama sentia... na obscuridade do teu quarto, teus olhos semicerrados olharam o tecto e se fixaram na sua alva cor que permitia uma réstia de luz no meio da escuridão... olhaste a janela e pelas frinchas da persiana, divisaste a luz cinzenta duma lua crescente... avizinhava-se uma noite de lua cheia e teu corpo descansou por um momento... a tua cama então suspirou e te abraçou fortemente... em suas mãos te acabavas de entregar... e o sono chegou.... adormeceste... não sei mais o que se passou... a noite decorreu, teu corpo diversas vezes se moveu... a tua cama não se movia, com receio de te acordar; abraçava-te sempre para não te deixar fugir... sentia-te sua e possuía-te num sonho imenso de impossibilidade, de impotência, de raiva, por não te conseguir ter tendo-te ali... tua mente adormecida, movia-se e sabia-se que sonhavas... a tua cama te tinha ali, indefesa, sozinha... sonhavas e eu aqui, nada mais te pedia... nada mais desejava...
Queria apenas ser o teu sonho..."

domingo, 18 de julho de 2010

sábado, 17 de julho de 2010

Desejo

“...te vejo ali, parada, me olhando só... não há palavras, nem medos, nem lágrimas... há apenas um olhar profundo e um toque suave como se fosse o toque mais importante deste mundo... te olho e te fixo a alma... te possuo mesmo antes de te tocar, de te amar, até mesmo antes de te olhar... é tudo muito mais forte do que o meu querer... olhar-te bem dentro mesmo sem te ver... sentir-te só de te desejar, ali, parada numa pose linda, somente a me olhar... fixo tua boca e te sorvo completa... te abraço sem te abraçar... te afago sem afagar... te penetro sem te penetrar... está tudo ali, em ti, a meu lado... basta te desejar... e meus olhos já te possuíram... e teus olhos já me abraçaram... e teus olhos já me sentiram... ali, sem questionar, me estendes a mão... vejo teu corpo a arfar.... e sentes minhas garras te tocar... e teu corpo em minha alma se entregar... tudo tão simples: apenas o desejo de te desejar...”

sexta-feira, 16 de julho de 2010

quinta-feira, 15 de julho de 2010

E em ti me eternizo

“…os meus olhos pousam em ti e todos os meus sentidos te olham num delirar mútuo de atenção... vejo o teu corpo e deleito-me na tua alvura... cheiro o teu cheiro e aspiro a tranquilidade da tua paz.... ouço o teu respirar lento, como um lamento que não lamento… as minhas mãos tocam os teus cabelos e envolvem-se neles... acerco-me de ti e te toco... te sinto global e ali inteira frente a mim... beijo a tua boca e tudo se torna como num festim de doces carícias e sabor a sal... estou inteiro no teu corpo inteiro e me sinto nele como sinto o teu corpo em mim... é apenas um abraço, um enlace de braços que apertam sem apertar, sentindo apenas o teu respirar... minhas mãos percorrem a tua pele acetinada linda... fecho os olhos procurando apenas sentir… e sinto o desejo crescer em mim e o teu arfar sobe de tom... como é bom... a minha boca se cola na tua boca e a minha língua se funde dentro dela como se da tua se tratasse... é apenas mais um enlace... sinto o teu peito quente junto ao meu e beijo teus mamilos num acto de procura da loucura... loucura que me invade lentamente, premente ali presente ou então como se tudo mais estivesse ausente... meus braços te envolvem e se descobrem momento a momento como se fosse a primeira vez que no teu corpo se movem… sinto o cálido odor do teu corpo quente de amor, oferecendo-se como numa espécie de orgia sem pudor... minhas mãos tacteiam centímetro a centímetro toda a tua pele, todos os recantos de teus encantos e se encontram, de repente, sobre o teu ventre quente, dolente... afago tuas coxas e as tuas ancas e as aperto contra mim… procuro o teu sexo e o acaricio... beijo-te completamente num único beijo e me torno desejo do teu próprio desejo…te envolvo num abraço mais e te penetro… és tu que me possuis... não te tenho, és tu que me tens... movimentos doces se entrelaçam como se não fossemos dois mas um só... os nossos corpos se fundem num arfar profundo de prazer e loucura... já não sei o que sou, apenas em ti estou... eu sou tu e tu és eu numa fusão de ser e estar... na verdade és tu que me possuis pois eu não te tenho, és tu que me tens pois em ti eu me dou... e em ti eu me eternizo…”

quarta-feira, 14 de julho de 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

Nudez

"... porque te sentas de pernas cruzadas sobre a nudez do teu silêncio?... para te ouvires desejando não ouvir o que não és capaz de pensar?... porque te sentas de costas voltadas à treva se da treva vem a luz que te cega?... para não olhares, para não veres o que sempre desejaste ver?... porque me dizes que sim quando do teu peito sai um gritante não?... para não teres de balbuciar um talvez?...porque pensas que pensas o que não pensas?... para pensares no que eu penso que tu pensas?... não, o melhor é mesmo não pensares… porque sentes que a vida te foge por entre os dedos se as tuas mãos estão presas e cheias de dúvidas?... porque desejas libertação se o que intimamente queres é estar quieto na bonomia do turbilhão?... porque calas o teu grito se do fundo da tua mansarda revelas a negrura da alma que te compõe o sentir?... porque não mentes se é tão doce mentir?... porque não calcas a doçura do mel?... porque não espezinhas a palavra calada?... porque não escreves o nada que tens para dizer?... que te disse eu que tu já não soubesses?... aprendeste algo mais para além daquilo que já não sabias?... que sabes tu da ignorância que te cerca se a certeza de saber é apenas uma incógnita que nos abala a consciência de nada sabermos, ou apenas de sabermos que nada sabemos?... porque te manténs sentada de pernas cruzadas sobre a nudez do teu silêncio?..."

segunda-feira, 12 de julho de 2010

domingo, 11 de julho de 2010

Diálogo com a Serenidade

“... a calma tinha-se aproximado de mim como não me conhecesse... eu já a conhecia há muito pese embora os grandes momentos em que não a via ou não me encontrava com ela... porém, naquela vez, ela fez de conta que não sabia quem eu era... aproximou-se mansamente e como quem não quer a coisa, saudou-me ao de leve com um leve acenar pela passagem, pelo encontro... não lhe liguei demasiada importãncia mas educadamente correspondi ao seu aceno e sorri-lhe... foi nesse momento que ela olhou para mim e, de chofre, me perguntou: - Porque sorris?... Naquele instante não encontrei resposta mas uns segundos após, saiu-me uma frase lenta e suave: - Porque não haveria de sorrir?... Acho estranho, disse ela: Estás sempre preocupado, cheio de problemas, a tua cabeça é um vulcão, a tua alma desespera, o teu coração bate e os teus olhos não choram... Pois, respondi eu, eu sei mas por vezes caio em mim e entendo que de nada me vale o lamento; por certo que estou errado quando desfaleço e sentado ou deitado me concentro nas agruras da vida; depois penso que a vida é apenas aquilo que dela fazemos, aquilo que dela queremos, aquilo que dela podemos tirar... a vida nada nos dá excepto ela mesma, ou seja, ela se nos entrega numa única vez e após instalada em nós, somos nós mesmos que a gerimos... temos esse poder, o poder de moldar os dias, as horas, os minutos e até mesmo os segundos dos nossos momentos aqui e agora, ontem e, quem sabe senão ela, também amanhã... somos nós que decidimos enfrentar ou não o momento que se nos depara, seja ele bom ou mau... é apenas uma questão de escolha... mas tu não eras asssim, disse-me ela, a calma... sim, eu sei... na verdade, a vida foi tão diversa e tão cheia de coisas e coisas que houve vezes em que não te consegui enfrentar ou mesmo aceitar e desesperei... porém, houve também momentos em que soube que me podias ajudar... por isso te sorri agora... sei que me podes inundar e tornar-me pleno de mim mesmo e conceder-me ainda mais a capacidade de me dar ainda mais do que já tentei... sei que me ajudarás... porque me trazes a sabedoria, a sensatez, a alegria, a ternura de me saber feliz ao sentir que amo, que o caminho que percorro é o único que me pode serenar, o único que me pode pacificar, a caminhada plena para amar... e, com amor, se ama e com amor se perpectua a nossa vida, mesmo para além da morte... por isso, hoje, te sorrio por saber o quanto amo quem amo, quem me dá a plenitude da serenidade, num amar terno e seguro, forte e puro, real que de tão real, a ti o juro...”

sábado, 10 de julho de 2010

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Ensaio sobre a solidão

“…depressa me canso de mim… olho à minha volta e só vejo recordações… uma terna claridade invade o meu quarto e me rodeia de mansinho… já reparei várias vezes: vem sempre acompanhada do silêncio!… nunca soube o porquê de tal evento… é uma luz difusa, lenta, como que surgindo a medo e com ela, um opaco silêncio… algo que nada traz a não ser paz… mas trazê-la já é bom… e é nesses momentos que me sinto só… e sabem porquê?… porque não tenho com quem partilhar esse momento!… algo que sempre desejei fazer um dia na minha vida: partilhar a minha solidão… dizer a alguém: “…Vês?… Estás a ouvir?… A minha solidão está aqui, é isto que vive aqui comigo… Entendes?…”… mas nunca consegui e nunca o consegui porque nos momentos em que a solidão me visita eu nunca estou acompanhado… engano, estar acompanhado estou mas apenas de mim mesmo e dessa luz e desse silêncio… já somos três… estendo-me então no leito dessa luz e deixo-me levar pelo barulho do silêncio que me invade… nunca é tarde para experimentar novas sensações, só que esta é já demasiadamente minha conhecida e então apenas nos olhamos e nos aceitamos mutuamente… nada mais fazemos senão partilhar aquele momento, uma partilha a três numa solidão solitária de um só… estendido nela e com o silêncio deitado a meu lado, olhamos o tecto que lentamente se separa de nós em tons de cinzentos cada vez mais escuros… passo os braços pelo silêncio e aperto-o de encontro ao meu peito… sinto o seu respirar lento e compassado… é um som simpático, eu sei, mas ao mesmo tempo ousado na medida em que invade o som do bater do meu coração… e o silêncio deixa de ser silêncio para ser um baque surdo ritmado aqui, ao meu lado, deitado… no entanto, continuo abraçado a ele e ele sente-se bem porque acarinhado… é um abraço puro mas forte… ingénuo mas apaixonado… é apenas um abraço de silêncio compartilhado num leito de claridade a escurecer em lentos tons que tem o anoitecer… porém, já quando o tecto se separa de nós e nos abandona entregues que ficámos à luz das trevas que entretanto nos envolvem, o silêncio se aperta contra mim e me possui… penetra-me fundo e a respiração torna-se ofegante, sufocante… o que até então era um prazer compartilhado passa a ser dor e algo que corrompe… penetra-me cada vez mais fundo e a dor aumenta… o bater e o som do meu coração ultrapassa o silêncio que entretanto se esvai num orgasmo de sons delirantes de espasmos gigantes que se avolumam dentro de mim… o tecto já não existe, a obscuridade ainda persiste com mais intensidade… é um estar sem vida, sem morte e sem idade… apenas habita em mim numa eterna cumplicidade… respiro o espaço que me rodeia… e a escuridão cai sobre tudo e me envolve como uma teia… já tenho mais uma companhia… o doce sono vem de mansinho amparar meu corpo e cobre-o com carinho… adormeço lento, extenuado de tanta amargura, numa vã procura do próximo amanhecer que de novo me vai trazer o fim de tarde, neste terno ciclo de amor e ódio em que espero pela eternidade…”

quinta-feira, 8 de julho de 2010

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Silêncio

"...Há um silêncio absoluto aqui até mesmo dentro de mim... Estou só, acompanhado apenas da minha solidão... por isso, não estou sozinho... estou acompanhado, logo não estou só... Estranho... O silêncio penetra dentro de mim sem pedir licença... também não sou capaz de lhe impedir a entrada... ele é tão livre quanto eu e eu, possuidor dessa liberdade, deixo-o entrar e sinto que a excitação que ele me provoca é sinal de prazer... Um prazer proveniente da paz que ele, o silêncio, alberga... Com ele, vem apenas o som da deslocação do ar quando ele chega sem avisar... É que, de repente, só (estando só) o sinto quando ouço o silêncio da sua chegada... Senta-se aqui ao meu lado e vejo perfeitamente que ele me olha de soslaio... mas não lhe ligo importância... quem se julga ele?... Alguém de muito especial?... Devo-lhe alguma deferência?... Não... Não lhe franqueio sempre a entrada?... Então, que mais ele quer?... Que lhe dirija a palavra?... Não!... Mil vezes não!... Se o deixo penetrar-me é porque assim o desejo e o quero, em silêncio, em paz, ouvindo-o sem o ouvir... sabendo apenas que ele está aqui... A solidão, por seu lado, essa não se importa muito pela presença dele... já está habituada... Olha-o com desdém como se ele, o calado silêncio, fosse ninguém... Sabe muito bem que ele não me faz mossa... sabe perfeitamente que ela, a solidão, é que é a minha amante preferida, hoje cinzenta (pode ser) mas amanhã, quem sabe, se colorida... É apenas a paz que me traz sereno e me faz sentir o seu frio ameno... é que o silêncio tem temperatura, ora é doce e quente, ora azedo e frio... mas já reparei imensas vezes que quando é azedo se sente um frio ameno... não enregela nem me estremece o corpo... amorna-me a alma e deixo-me ficar na mordomia da sua presença... É tudo apenas um estado de solidão a sós com o silêncio que me faz companhia... Por isso, não esfria... Deixa-me estar como quero... E ele se queda também e fica... Não incomoda... Sabe que a qualquer momento que eu queira, o mando embora... sabe que um grito forte pode, num ápice, cortar o ar que ele deslocou ao chegar... Ele sabe isso e por isso não se preocupa comigo... Mantém apenas um vago olhar... Como quem não sabe se parta ou se deve ficar... Depende apenas e só do meu grito... se este, o grito, do meu peito sair com força, com ânimo, com desejo de ser quem sou e não quem quero parecer ser... O problema com que me debato é saber o que sou ou mesmo até quem sou... Serei eu próprio o silêncio?..."

terça-feira, 6 de julho de 2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Entrega

“… tivesse eu as capacidades de um deus, mesmo dos da antiguidade, de um Zeus, de um Júpiter ou mesmo de um Marte ou até mesmo, porque não, duma Diana… tivesse eu os poderes de tudo demonstrar sem ter de provar, ou seja, bastar ser e não ter de provar que sou o que sou ou quem sou… tivesse eu toda essa força mágica e logo seria a mais pura prova do que há muito persigo: seria o Amor transformado em entrega, seria o Amor pleno, aquele que vive de si mesmo para se bastar e na totalidade se entregar… o Amor que deixaria de o ser para passar ao patamar superior do estatuto da fórmula única da vida plena que é Amar… passamos tempos e tempos sem sabermos o que é isso do Amor ou como é que se Ama e um dia, sem sabermos como, tudo surge ali, à nossa frente, sereno, demonstrativo da nossa anterior ignorância e dizendo-nos bem no nosso interior que o Amor está aqui dentro de cada um de nós e, como tal, livre de ser entregue ao próximo… e é nesse momento, quando o Amor sai de dentro de nós e o entregamos a alguém que ele se transforma numa dádiva e assim, de uma forma tão simples, passamos a Amar… esta entrega, esta forma de se estar na vida, pressupõe a inexistência de condições incluindo o não retorno, ou seja, amar mesmo que não nos amem… essa é a única forma de provar a nós mesmos que estamos a Amar e não tão pobremente apenas a gostar… é por isso que estou sempre a falar do mesmo, a batalhar todo o tempo na tentativa de demonstrar, sem ter de provar, que Amar é a minha forma de ser… tentar provar que se ama é uma forma de se negar a si mesmo porque quem ama não precisa de se afirmar: entrega-se, apenas… entrego-me a ti nas mais pequeninas coisas, mesmo até nos elementos que não são visíveis mas que existem, que estão lá, em ti, vindas de mim… entrego-me a ti sem perder a minha identidade, sem deixar de ser eu mesmo mas o que sou o transmito, o envio, o entrego em totalidade… entrego-me a ti em serenidade, em luz, em paz, em harmonia, com força, com garra, com espírito e alegria… entrego-me a ti num sorriso, num toque, numa palavra, numa frase… entrego-me a ti num beijo, num corpo, numa alma, com a totalidade do meu eu… entrego-me a ti tal como sou, impuro talvez, mas com doçura, em humildade e sem qualquer altivez… entrego-me a ti por amor…”

domingo, 4 de julho de 2010

sábado, 3 de julho de 2010

Já se passaram 7 anos

“…faz hoje 7 anos!...
Acordei razoavelmente bem disposto. Levantei-me, fui para a casa de banho e, como de costume, ao fim de uma horita de lá saí pronto para o dia que se me apresentava pela frente. Por hábito, a seguir tomaria o pequeno-almoço mas não o fiz pois tinha de ir em jejum. (Chatice) Aguardei a hora e lá fui em direcção ao estabelecimento onde iria ser retalhado. (Cruzes)
Chegado, subi a escadaria, entrei na Secretaria (rimou), assinei os papéis e lá me levaram para o quarto. Choque. Quarto 155. Este número tem uma história e há quem a conheça; quando reparei que o quarto tinha aquele número, hesitei mas a funcionária lá me convenceu a aceitar aquele e não qualquer outro; afinal de contas, tanto poderia ser um mau como um bom sinal.
Ainda era cedo. 10 da manhã e a cirurgia só seria às 3 da tarde daquele dia 3 do mês 7 do ano 3 (há um ano atrás, claro…)
Mandaram-me vestir o pijama e deitar-me e aguardar. Assim fiz. Ao fim da manhã veio um enfermeiro fazer-me a barba à zona púbica e não me arrepiei nem um niquinho ao ver aquela lâmina enorme junto das minhas partes mais sensíveis. Entretanto senti frio e meti-me debaixo da roupa.
Por volta das 2 surgiu um cardiologista para me fazer o ecg para ver se eu estava em ordem para a anestesia.
Estava que nem um lorde. Uma calma absoluta que as tensões e as pulsações não deixavam mentir; estava em perfeitas condições para o sono artificial.
Enfim, a hora aproximava-se e lá veio o cirurgião com aquele sorriso simpático que lhe dava um ar de confiança absoluta (atitude que me concedeu uma paz de espírito total) e me permitiu encarar a cirurgia complicada (ainda que rápida) com calma.
Dez dias antes, no seu consultório, ele me havia dito todos os pormenores da cirurgia; a operação à hipertrofia da próstata seria feita através da introdução de um aparelho pela pila dentro (chiça); dentro desse tubo, um estilete com uma lâmina na ponta iria lá ao sítio cortar finíssimas camadas da dita cuja trazendo-as no retorno indo ao interior tantas quantas vezes fosse necessário; nos intervalos de cada viagem, um outro estilete a 200 graus de temperatura iria cauterizar as artérias que iriam ser cortadas com a lâmina. Isto, na verdade, não é agradável de ler quanto mais de ouvir dizer que nos vão fazer. Mas como ele me garantiu que nada iria sentir nem durante nem depois, nas mãos dele me entreguei com absoluta confiança.
Por outro lado, como tinha também uma hérnia inguinal, com um só tiro se matariam 2 coelhos, pelo que também me iriam operar a indesejada companhia.
E assim foi. Vestiram-me a bata (adorei a boina plástica que me puseram na cabeça), deitaram-me na maca e assim fui para o bloco vendo o tecto deslizar acima de mim.
Entrado no dito, de imediato me “esticaram” na marquesa operatória e me começaram a preparar a anestesia por 2 simpáticas médicas às quais me permiti dizer 2 coisas:
“Façam-me dormir o suficiente para que quando acordar eu tenha fome para comer um cabritinho assado”, e:
“Outra coisa: não se esqueçam de dizer ao operador que a hérnia é ali no lado esquerdo” (não fosse o diabo tecê-las)
Foi uma risota naquele bloco e a verdade é que não demorei um minuto a adormecer!...
E pronto!... Acordei por volta das 6 e meia da tarde a pedir o cabritinho mas não me deram… só no dia seguinte é que me deixaram comer. O que um “lobo” sofre…
E aqui estou mais “famoso” que nunca!
Este texto serviu para recordar o “evento” e, ao mesmo tempo fazer o exorcismo a este ciclo de 7 anos que acaba de passar...”

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Acerca dele

“...ele envelheceu um pouco nestes últimos tempos... nota-o quando olha o espelho ao desfazer a barba... interessante é notar também os pêlos brancos do peito... também não é para admirar... Mas a vida é assim, a vida prega partidas com as quais não se conta... A vida poupo-o durante muitos anos mas nestes últimos dez não foi fácil... Começou pela falência em 95 da sua empresa e os problemas inerentes e subsequentes deram chatices e as pressões provocaram danos... mais tarde, foram problemas do foro afectivo e a seguir problemas de saúde... Passou alguns maus bocados... Quando tudo parecia estar “resolvido” um novo factor destabilizante surgiu para lhe provocar novas dores de cabeça... Há já mais de um ano que ele vive só na companhia de duas velhinhas de 90 anos, sua mãe e uma sua tia... esta já se encontrava acamada mas tudo se ia resolvendo de forma consertada entre ele e sua mãe... porém, eis senão quando, sua mãe também cai doente mas sem doença, “cai” de cansaço, de velhice, de tempos demasiados de pesada vida ao longo de muitos e muitos anos... Ele é filho único e não tem mais ninguém a quem recorrer... tem os filhos mas estes estão um pouco longe e têm as suas vidas... sempre que podem e tal se torne necessário, eles o ajudam em casos específicos... No entanto, para o dia a dia, ali presente, ele está só... E sente-se só... Face aos acontecimentos, teve de criar uma rotina, pois os tratamentos, as medicações e outros factores a isso obrigam... assim, levanta-se por volta das sete e trinta... abre as janelas para que a luz ilumine o ambiente... liga o fogão... prepara a tia para a higiene matinal... depois prepara o pequeno-almoço para ela e termina com o refazer da cama e da limpeza do quarto... Segue-se idêntico tratamento para sua mãe ainda que não esteja incluída a higiene na medida em que ela ainda a consegue proceder de moto próprio...
Depois delas “arrumadas” ele vai “tratar” de si mesmo... Por volta das dez da manhã sai e vai fazer as compras que entende necessárias e toma o café da manhã (vício de longos e longos anos)... Regressa a casa e vai ao computador ver o que se passou durante a noite... lê os mails e escreve alguma coisa, pouca é certo pois é necessário ir fazer o almoço... Tem de fazer as “coisas” como faz no pequeno-almoço: primeiro trata da alimentação da tia e depois almoça ele mais a mãe... findo o almoço segue-se o arrumar da mesa e dos demais acessórios e o lavar da loiça... Por volta das catorze e trinta está “livre” e vai sentar o corpo para descansar a sesta... A rotina regressa por volta das dezoito horas e segue os mesmos termos até às nove... É nesta altura que ele se senta em frente do seu portátil e tenta distrair os seus nervos... nervos que se vão deteriorando não por um cansaço físico mas por um sentimento de impotência perante aquilo que a vida lhe deu... sente-se cansado por “dentro”... Então, fala dos “seus” pardais, do gato e do cão, do seu quintal e do sol que se põe sempre a oeste... fala das suas rosas, das nuvens e do vento leste... fala de tudo, menos dele e do “lobo” que há dentro dele… Fala de amor, do amor, de como amar sem posse nem destino... fala de amor incondicional e não o entendem... fala dos voos palermas dos pardais e escreve alguma poesia… Gosta de escrever contos, pequenos textos e alguns pensamentos... gosta muito de fotografia e gosta de as legendar... Fala sobre palavras… ama-as e ama as pessoas…
A resolução do problema passa pelo provável internamento da tia, mas tudo leva o seu tempo neste burocrático país de papéis e petições... Entretanto tem de ser assim...
Às vezes nota-se nele um desânimo e uma tristeza latente... Mas sente-se que a tenta ultrapassar; vê-se muitas vezes um sorriso aberto nos lábios e os passeios pedestres que ele faz ao meio da tarde servem para desanuviar a tensão acumulada durante o dia... Diariamente lhe perguntam como é que vão as doentes... invariavelmente e a sorrir, responde sempre da mesma forma: “Obrigado, as minhas velhinhas estão bem!...”
...
(P.S. - este texto foi escrito em 2003... em 2004 a tia faleceu e ficou só com mãe...e há cinco anos que ele se encontra nesta "prisão", neste túmulo de silêncio... mas ainda não parou de escrever... continua a falar sobre o Amor, sobre as flores, sobre a Amizade... mas vê-se que está cansado... vê-se que a liberdade que ele tanto necessita não o habita... prende-o...)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Impossível provar

“... não existe forma de se provar ao ser que amamos que o amamos... não há sinais, nem falas, nem gestos, nem toques, nem palavras... não existe nada que possa significar ou ter o sentido de dizer e provar ao ser que amamos que o amamos... se não existe então forma de o fazermos, como podemos provar ao ser objecto do nosso amor que o amamos?... não podemos provar!... e não podemos provar porque não existe forma de o fazer, logo só o conseguimos amar se na verdade o amarmos... e é amando-o nas mais pequeninas coisas que, sem provar, lhe vamos dizendo que o estamos a amar... é preciso que o ser que é amado sinta que é amado e essa é a única forma desse ser ter a certeza que é amado... quem ama não pode provar que ama mas quem é amado sabe sentir que o é... logo, a forma de provarmos que amamos o ser que amamos é este ser sentir que é amado... e só este ser que é amado saberá entender a verdade do nosso amor... e então, aí sim, ele saberá que é amado nas mais pequeninas coisas que fizermos, que dissermos, quando tocamos, quando gesticulamos, quando lhe enviamos um sinal, um olhar, uma forma do nosso próprio estar que nos é peculiar e único quando estamos a amar esse ser... o ser amado saberá que o é mesmo que quem o ama não o consiga provar, nem metafórica nem fisicamente... amamos com o nosso sentir, com o nosso coração, com o nosso corpo e com a nossa Alma, mas todos estes elementos são refutáveis, logo só o outro, quem é amado, saberá distinguir do nosso sentir, do nosso coração, do nosso corpo, da nossa Alma, os elementos comprovativos do amor que por ele nutrimos... como sempre disse, amar é dar, logo só quem recebe é que sentirá essa dádiva... é pois, dando-me-te por completo, que te amo... é pois, recebendo-me por completo que sentirás o meu amor...”

terça-feira, 29 de junho de 2010

segunda-feira, 28 de junho de 2010

domingo, 27 de junho de 2010

Pedir

“... pedi para ver o invisível e deram-me a cegueira... pedi para ouvir o inaudível e obtive o silêncio... pedi para tactear o nada e consegui o caos do tudo... pedi sempre o que quer que fosse que me viesse à ideia e o retorno era sempre o oposto... a conclusão óbvia era não pedir ou então pedir apenas o real, o vivo, o palpável, o som, a luz, a beleza... nunca tive a certeza se terá sido a melhor opção... mas a verdade é que a partir do momento em que pedi apenas o viável, as coisas se tornavam passíveis de obtenção... pedi amor e tive-te... pedi um beijo e saboreei-te os lábios... pedi um abraço e amornei meu corpo na tua sedosa pele... pedi um toque e tive-te completa... pedi um olhar e consegui a imagem real... pedi um som e ouvi tua voz num doce dizer que me amas... pedi-te presente e tenho-te em mim por completo... pedi uma ternura e senti amor... pedi apenas o que podia obter e nada me foi por ti negado... senti-me preenchido pelas mais pequeninas coisas que de tão pequeninas se tornam no todo tão desejado... pedi para te amar e senti-me amado... que mais te posso eu pedir que já não me tenhas dado?...”

sábado, 26 de junho de 2010

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O uivo

Levantou-se com um sobressalto, que a fez erguer a coluna num impulso sôfrego, um nó de desespero atado na garganta. Segurou-a com uma das mãos, como se contivesse a respiração ainda ofegante. A escuridão estava toda emersa numa tonalidade azul, criando uma atmosfera quase irreal no interior do quarto. Uma estranha luminosidade vinha do exterior, e penetrava no quarto pelo espaço entre as velhas cortinas desbotadas. Dirigiu-se à janela como se algo a chamasse. Espreitou por trás do veludo envelhecido do reposteiro e viu um vidro quebrado, estilhaçado no canto inferior esquerdo. Formava um desenho perfeito de uma teia. Tocou-lhe e automaticamente levou o dedo à boca, sugando o sangue do corte que acabara de sofrer. Soltou um breve gemido de dor, frustrado de fúria. Lá fora, a lua erguia-se gigantesca, majestosa, rodeada de uma aura azul intensa, que cobria todas as coisas de improváveis reflexos. Sentiu um incómodo arrepio, como uma fria corrente enferrujada a mover-se no interior da espinha. O espaço à sua volta, de súbito, ganhava novos contornos. Estremeceu perante um breve desacerto do mundo. Julgou ouvir ruídos, um estalar de madeira, ecos de passos atrás de si, o som das sombras a mover-se pelas paredes do quarto. Voltou-se e tremeu. Deu dois passos incertos, esquecida do próprio corpo. O chão estava alagado; os pés descalços enregelados. Ouvia uma torneira aberta, que pingava lentamente. O som adensava-se segundo a segundo, ecoava pela casa toda, cada vez mais próximo, cada vez mais grave, cada vez mais alto, com requintes de tortura. Segurou a cabeça entre as mãos, crispando os dedos entre os cabelos, tapando os ouvidos quase até ao limiar da dor. Enlouquecia. Abriu as portadas e saiu. Correu para a floresta que se estendia, negra e silenciosa, a sul da casa. Não se vestiu. A camisa branca de algodão finíssimo esvoaçava enquanto corria. Um som distante, longínquo, como um uivo, envolvia agora todo o espaço entre as árvores. Tudo à sua volta permanecia assombrosamente azul. Olhava para o céu e os seus olhos cintilavam, fazendo perguntas às estrelas ausentes. Correu a um ritmo alucinante, rasgando a noite escura com a sua deslumbrante figura pálida. Se pudéssemos congelar o momento, encontrar-se-ia a mais bela fotografia do mundo. Era atrás do lobo que corria. Um lobo que conhecia sem nunca ter visto, que a chamava sem nunca ter tocado um fio dos seus cabelos. Sonhara com ele durante seis noites seguidas, um segundo mais cada noite, até que o sonho a puxou para dentro e ela foi ao seu encontro. Correu atrás dele, movida pelo sonho, dominada pela loucura. Corria como se perseguisse a própria vida, e gritava. Gritava o nome do seu amor, como se lhe respondesse. Correu até ficar sem forças, lentamente vergou os joelhos e deixou-se cair no chão húmido. Tinha chovido nas horas anteriores, muito certamente. Cravou as mãos na terra até que esta lhe doesse, negra e perfumada, entre as unhas. Sentiu um frio muito fino percorrer-lhe a parte de trás do pescoço, desde a nuca, descendo até à cintura. Depois um calor imenso a escorrer-lhe pelos braços. Tinha o lobo junto do seu corpo, o seu olhar ferido de medo. Aproximou-se do seu rosto, conseguia sentir-lhe a respiração na face gelada. Mergulhou os dedos finos no pêlo em redor do pescoço, num gesto ambíguo. Como se segurasse, como se repudiasse. Sentia-o roubar-lhe o sopro de vida, ao mesmo tempo que a alimentava de uma inexcedível sensação de eternidade. A escuridão era tão intensa que a noite parecia estender-se sobre todas as coisas, sem limites, insondáveis as suas profundezas. Reinava uma calma inquietante. O seu coração pulsava acelerado dentro do peito, o olhar num fervilhar insustentável de paixão. Olhou à volta, demorando um segundo a reconhecer o espaço do quarto. Um segundo depois, o outro lado do pesadelo: Está um homem ao seu lado. Está frio. O branco dos lençóis tingido de vermelho. Do corpo imóvel e pálido escapa-se um fio rubro e espesso. O olhar preso no infinito. Um último gesto de angústia suspenso na mão. A boca entreaberta, fixo nos lábios um suspiro, com o nome do seu amor.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Adormecendo

“… deixa enroscar-me nos teus braços… coloca tua mão na minha cabeça e enrola os teus dedos nos meus raros cabelos… baixa um pouco a tua fronte e beija a minha boca… deixa enroscar-me no teu colo… sentir a tua maciez e ver de baixo para cima o teu sorriso… ver-te junto a mim e saber-te ali comigo… de tal forma que quando olhas eu sou o teu olhar… de tal forma que quando sorris eu sou os teus lábios… de tal forma que quando me afagas eu sou a tua mão… de tal forma que quando me tocas eu sou o teu corpo… de tal forma que quando me olhas eu sou o teu olhar… deixa pousar o meu cansaço na tua serenidade e sentir a tua paz na minha guerra… baixar as armas e sentir a trégua na tenda que se ergue no deserto da batalha… humedecer as mãos na brisa da água que corre no ribeiro que nos circunda… lavar a cara na frescura do vento que nos embala… sentir que nem tudo é real mas que o sonho nos preenche… sentir que, por vezes, só o desejo chega, só o querer basta, só o pensar nos satisfaz… deixa-me ser não só a realidade mas também o que não somos… deixa-me olhar para dentro de ti e ver-me inteiro… deixa-me tocar-te com o sonho e saber-me parte dele como sei que ele é uma parte do meu eu verdadeiro…”

terça-feira, 22 de junho de 2010

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Destino

"...Ontem, inesperadamente, rompeste a chorar... De há dias para cá, que a melancolia te anda a torturar sem verdadeiro motivo, ou talvez mesmo conhecendo tu a razão... E´ talvez a tua verdade a tomar consciência do teu destino... Uma infinidade de pequenas coisas obscuras contribuíram para formar essa angústia que te oprime e te faz sofrer... E o coração, em tumulto, quisera gritar o desespero que os lábios não sabem exprimir... Pois bem, o teu pranto é semelhante à chuva de Abril que torna mais verdejante o jardim... Talvez, pelo contrário, não consigas chorar, e semelhante angústia sacode-te com violência e abala-te o coração, a ponto de desejares morrer... Somente os olhos reflectem a tempestade interior e buscam em vão um pouco de azul... E tens a sensação de que, se pudesses chorar, te sentirias liberta... Mas não és capaz, e nem sequer podes falar... Sim, a tua angústia é semelhante a um céu fechado, que um dia se abrirá para fazer triunfar o sol... Porventura a tristeza que sentes é já um presságio... Talvez uma oferta inconsciente de amor para com tudo e para com todos... Talvez e apenas o teu simples destino de mulher..."

domingo, 20 de junho de 2010

sábado, 19 de junho de 2010

Imagina

“…imagina o sonho de quem sonha e sem sonhos se deleita com o sonho que sonha mas que sabe não passar de um sonho… imagina o sonho de quem sonha tudo o que pode ser sonhado, num dia solarengo como numa noite de um céu estrelado…e sonhando me deixo vogar pelas palavras que são as únicas realidades que possuo para em frases desenhar o sonho em que sempre, e só, flutuo…”

sexta-feira, 18 de junho de 2010

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Tenho saudades tuas

"...Tenho saudades tuas... Queria ter-te aqui comigo, a meu lado, de mãos dadas ou de olhos nos olhos... Cingir-te a cintura e apertar-te contra mim e sentir teu corpo... Desejar o teu desejo... Ouvir teu coração bater com a minha face sobre o teu peito... Beijar-te a boca e saber-me dentro de ti... Sentir-me mais uma vez como as muitas que senti... Tenho saudades tuas... Chamar pelo teu nome... Ouvir a minha voz pronunciar esse som e saber-me respondido com o teu sorrir... Estar onde estás e saber-me contigo, aberto de mim para te receber em plenitude... Entrar no teu ser e saber-me lá residente, não ontem nem hoje mas, sempre... Perder-me no teu labirinto e jamais encontrar a saída... viver os caminhos e as esquinas que se cruzassem à nossa frente e deixar de conhecer o tempo que nos cerca... olvidar a dor da ausência do teu doce amar... Tenho saudades tuas..."

quarta-feira, 16 de junho de 2010

terça-feira, 15 de junho de 2010

Deixem-me ser um poema

“…deixem-me ser um poema!… deixem-me ser todo eu um livro… queria ser todo eu algo escrito, algo para dizer ou ser dito!… queria ser todo eu um poema para num livro à tua cabeceira pousar, sentir-me ser lido e nas tuas mãos versejar… deixem-me ser um poema!… se o livro que desejo ser, em livro um dia se tornar, que seja o livro do livro lido por todos os que precisam de amar… sou assim, o poema desta manhã, as palavras desta tarde e os sons desta noite… sou a manhã deste poema e a tarde destas mesmas palavras, a noite dos sons do fogo que arde… sinto assim a sua fragrância, numa ânsia de palavra dita ou mesmo de palavra escrita… sinto o odor do poema versejado, ouvido, relido, mirado, querido ou até mesmo odiado… sinto o cheiro da palavra que escrevo ou da palavra que leio… sinto o poema dentro de mim com a manhã a nascer em ti ouvindo a tarde adormecer na noite do teu sonho de prazer… sinto-me poema… sinto-me verso… sinto-me palavra… sinto-me viver… deixa-me ouvir… deixa-me ler, porque não quero sentir a dureza do insulto que o silêncio em mim provoca… não quero ouvir os gritos lancinantes dum silêncio que tanto me choca… quero ouvir as palavras ditas… quero ler as palavras escritas… quero ouvir os sons que elas me trazem… quero ler as tonalidades que elas fazem… quero sentir o impacto do dito… quero sentir o embate do grito… não quero ler a palavra não escrita… não quero ouvir o silêncio do livro vazio… não quero escutar o silêncio do dito não dito… quero sentir a pureza da voz que a palavra escrita me traz… quero sentir o estrondo do grito que a palavra dita me faz… quero sentir que és… quero sentir que estás… quero sentir as palavras e quero os livros com elas gravadas!… deixem-me ser um poema!… escrevo assim o poema desta manhã com as palavras da tua tarde e os sons da nossa noite e, se a noite chegar, sem que a manhã tenha surgido, não tenhas receio, não tenhas medo, porque mesmo assim eu te leio…”

segunda-feira, 14 de junho de 2010

domingo, 13 de junho de 2010

Por um momento

“...ama-me com força, com amor, com dor, com sol, com alma, com ódio, com riso, com choro, com doçura, com mel, com fel, com frio, com mãos, com corpo, com olhos, com línguas e olfactos... ama-me com dorso, com costados, com palmas, com gelo ou com fogo... ama-me com garra, com pena, com ternura ou com censura... ama-me um minuto, uma hora, um dia, uma vida, um momento ou uma eternidade... ama-me no ventre ainda ou já com muita idade… ama-me com siso ou indeciso, com chuva, com vento, com água, com sal... ama-me por um momento que seja para que esse momento perdure na vida ainda que essa vida não perdure nesse mesmo momento!...”

sábado, 12 de junho de 2010

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Palavras ainda não inventadas

“… quisera escrever palavras que ainda não tivessem sido ditas ou escritas porque ainda não inventadas e dedicar-tas só para ti… dizer-te palavras diferentes de todas as que já foram ditas, escritas, reditas e reescritas… poder sentir que aquelas palavras eram só para ti e que mais ninguém as houvera lido ainda nem sequer sido sonhadas porque não inventadas nem rotuladas com significados óbvios… poder sentir que o destino delas era único e que mais ninguém se pudesse apropriar delas porque seriam apenas tuas… poder sentir que nada do que pudesse até então ter sido dito havia sido repetido… seriam palavras para escrever um livro onde nele descrevesse tudo o que estivesse na minha Alma e nunca houvera dela saído para o exterior… seriam sim claro, palavras de amor… mas essas existem em todo o lado, estão espalhadas pelo espaço de todos os pontos cardeais, em todos os cantos, dirigidas em todos os sentidos, conduzindo o Amor para a sua simplicidade ainda que indolor… seriam sim claro, palavras de ternura, de carinho, de afago, de candura, de puro desejo de as sorver num só trago e mais não existissem excepto no teu coração pois para ele elas haviam sido dirigidas… queria sim escrevê-las num só fôlego, num só dizer, num só escrever, numa só direcção e saber que as havias recebido, sentido e digerido dentro do teu ser… palavras escritas para mais ninguém as ler… só tu as receberias e as sentirias porque saberias que te pertenciam… queria, pois, inventar novas palavras que exprimissem o que já sabes sem eu as escrever porque tas digo ao ouvido, porque tas entrego no corpo, porque elas se entranham em ti vindas de mim, num crescendo de Amor sem palavras ditas ou escritas de cor, apenas sentidas pelo teu existir… dessa forma, não necessito de as inventar porque elas já existem dentro de ti quando as entendes no momento em que não as pronunciando, a ti somente as entrego… fico assim sem necessidade de as escrever porque elas mais não são do que o sentir em mim a força do âmago do teu ser…”

quinta-feira, 10 de junho de 2010

quarta-feira, 9 de junho de 2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

Dificuldade

“… Existe uma enorme dificuldade em se pronunciar a palavra “Amo-te”… na verdade, a qualquer um de nós, dizer à pessoa de quem gostamos que a amamos é um verdadeiro desafio… e, muitas vezes, engole-se em seco e não conseguimos dizer e ficamos com uma vontade enorme de bater em nós mesmos por não sermos capazes de fazer uma coisa tão simples como dizer uma palavra tão serena… no entanto, é o nosso subconsciente que tem “medo” de a pronunciar porque ela encerra uma enorme carga de sentimentos e de responsabilidade… há, no entanto, quem a use de tal forma simples que a torna tão usual e normal pela leviandade com que a pronuncia… quando se diz a alguém: “Amo-te”, não estamos a dizer: “Gosto de ti”… existe uma enorme diferença, eu diria mesmo um abismo entre as duas formas… gostar é demasiado fácil e muito egoísta, porque quem gosta de algo é porque esse algo a satisfaz… amar não é tirar satisfação do outro, amar é entrega, é dádiva, é querer que o outro tire de nós… quando souberes que és capaz de dar a vida por alguém, por exemplo, podes dizer com propriedade que amas esse alguém por quem estás disposto a dar a vida se preciso for… quando estiveres convicto que amar é dares-te e não obteres, então podes dizer ao outro: “Amo-te”… não pronuncies nunca a palavra que te compromete, que te “obriga” a um compromisso para com o outro, mesmo que seja por pouco tempo… amar é tão-somente e apenas uma entrega absoluta e total de alguém a outro alguém… se não estiveres certo de que estás pronto para essa entrega então mais vale não dizeres que amas porque, na verdade, não amas, apenas gostas… é, portanto, preferível abafar a palavra do que a dizer levianamente… daí que, ouvir alguém dizer-nos: “Amo-te” é ficar com a certeza de que somos “donos” de quem o afirma… é ficar com a certeza de que, na verdade, podemos “tirar” tudo dessa pessoa porque ficamos a saber que ela se nos dá inteira, de corpo, alma e coração… mais vale não dizer que amas alguém se para ti essa forma de amar não for sinónimo de dádiva… e não tenhas vergonha de não seres capaz de amar porque amar é um estado de alma e não um estado físico… para amares, precisas de te amar a ti primeiro… quando conseguires amar-te a ti mesmo, então saberás que estás apto a amar o outro…”

segunda-feira, 7 de junho de 2010

domingo, 6 de junho de 2010

Nós, as palavras

Há já muito tempo que não nos vias, pois não? Sabes quem somos? Somos as palavras dele. Sabes quem é? É, ele tem-nos usado pouco, é um desleixado, um tonto ... enfim, um iletrado, pois não quer saber de nós. Sabes, o nosso esqueleto tem 23 ossos, são as chamadas letras do alfabeto. Com estes ossos formam-se coisas lindas e coisas feias, mas todas têm um nome: chamam-se palavras, é, palavras e como diz não sei quem, palavras levam-nas o vento. Por isso, ele tem medo que o vento nos leve e então guarda-as bem muito dentro dele. Lá muito no fundo, naquilo que vocês chamam de Alma, ou lá o que é. Mas também, não tem importância nós não sermos usadas quando nos usam para fins menos lindos. Gostamos mais que nos usem para coisas bonitas, para formar longas estradas cheias de nós, sabermos que estamos ali a dizer alguma coisa. Não é obrigatório sabermos o significado que nos dão mas temos a noção que temos significado. Depois também sabemos que são vocês que nos dão um determinado significado. Temos a noção que somos coisas giras e que formamos coisas bonitas, são as chamadas frases. Uma frase é formada por um conjunto de nós, palavras, e têm, pelo menos, um sujeito, um predicado e um complemento. Que giro, que coisas interessantes que vocês fazem connosco. Por exemplo a frase "Nós somos as palavras." Nesta frase existe um sujeito que somos Nós; depois tem um predicado, ou verbo como vocês dizem, que é a palavra "Somos" e, engraçado, o complemento é "as palavras", que giro, nós as palavras somos o complemento. Na verdade, somos o complemento de muitas coisas, por vezes de coisas menos bonitas, como já dissemos acima, mas temos o privilégio de sermos um sujeito e ao mesmo tempo um complemento. Repara que o predicado até nem é muito importante, pois se a frase for apenas formada por "Nós as palavras" toda a gente percebe o que é. Não temos dúvidas, nós somos importantes, Que giro. Já gostamos mais de nós mesmas. Até temos utilidade e para além de sermos um complemento, somos um sujeito. Um sujeito muito importante! Pois é, mas como íamos dizendo, ele tem-nos usado pouco; há coisa de um ano que ele deixou de nos dar importância, o malandro. Bem, mas nós, as palavras (que fique bem expresso, pois então), compreendemos perfeitamente as razões dele; ele diz, e com alguma razão (sabes, ele tem a mania de que tem sempre razão, é um convencido, mas não ligues, quando ele diz que tem razão se calhar é uma forma de ele estar vivo, de dizer de sua justiça de implementar, à força, a sua forma de estar no mundo, ele tem necessidade disso ... ó, como nós o compreendemos ... ) que nós devemos ser usadas mesmo sem o sermos, ou seja, podemos ser escritas ou ditas. Por acaso ele até nos usa melhor quando nos escreve, ele até fala pouco mas quando fala nunca mais acaba, é um chato; mas como íamos dizendo, ele diz que podemos ser escritas ou ditas e, é mesmo giro, mesmo sem sermos ditas podemos estar implícitas! É, pá, como nós somos importantes! Mesmo sem sermos ditas ou escritas...estamos implícitas! Que fino, não é? Como somos importantes! Pois é. Então, a verdade é que ele não precisa de nos usar na escrita, ele nos usa na Alma, no coração, na mente, na voz, nos actos, em todos os momentos da vida dele. Ele diz-te coisas mesmo sem nos usar. Nós estamos lá com ele e ele precisa de nós, mas nós entendemos que ele não nos utilize. Ele diz tudo o que tu precisas de saber mesmo sem nos usar. Ele diz-te tudo o que tu queres ouvir mesmo sem tu nos ouvires como palavras ditas. Ele fala-te tudo o que tu quiseres ler mesmo sem nos utilizar na escrita.
Nós podemos dizer bem alto por escrito como podemos calar bem fundo mesmo quando gritadas. Somos nós a forma por vós todos usada para vos comunicardes, para vos entenderdes, para vos sentirdes felizes por vos saberdes juntos uns dos outros. Mesmo quando não nos usais podeis dizer com os olhos, com as mãos, com o saber ouvir, com o estar lá, com a angústia no peito, com o amor no coração. Mesmo sem nos usardes, vós podeis dizer uns aos outros o quanto se amam, o quanto se querem bem, o quando precisais uns dos outros. Sim, todos vós precisais uns dos outros; não podeis viver sozinhos mesmo que a solidão seja uma condição de vida. E ele, na verdade, tem-nos usado pouco. Mas nós compreendemos. Nós o conhecemos muito bem. Ele diz-te tudo o que tu precisas de saber mesmo sem nós. Ele diz-te ao estar a teu lado. Ele diz-te mesmo quando não está contigo. Ele fala-te com as mãos, com os olhos, com o coração, com a alma, com o riso, com a angústia, com a alegria, com o sofrimento, ele fala-te porque sabe o que é preciso saber de mais importante neste mundo: o saber que somos importantes para alguém. E tu, tu também o sabes, tu és muito importante para ele.
Tu podes ler-nos perfeitamente mesmo sem ele nos usar.
Bem, por agora vamos deixar-te. Até um dia destes. Beijinhos.
Nós, as palavras

sábado, 5 de junho de 2010

sexta-feira, 4 de junho de 2010

AMO

“…amo desde o momento que quero amar até ao momento em que decido não amar… para amar é preciso querer amar como quem tem frio e quer calor ou como quem está cansado e quer descansar… tão simples quanto isso: é apenas um acto de exercício de um querer… não amamos por amar ou porque fomos aprender a amar como quem vai aprender uma nova disciplina; só se aprende uma nova ciência desde que se queira aprender; é preciso querer aprender; ninguém é obrigado a amar como ninguém é obrigado a não amar ou até mesmo a odiar… para amarmos é preciso que se queira amar: dizer mesmo – eu quero – e sentirmos que esse é um querer simples e sem artifícios… amar é uma entrega absoluta sem qualquer barreira, mesmo que magoe, que fira, que não seja o que pensávamos que seria… amar é uma dádiva e não um receber o que quer que seja, dando-nos para além de nós próprios mesmo que isso signifique perder alguma coisa… amar pode ser a perda de nós mesmos em prol de alguém que precise mais de mim do que eu próprio preciso e pode significar, portanto, dor, lágrima, choro, tristeza, amargura, infelicidade, desespero, quiçá até mesmo desamor… amar não é sorrir e dizer: Que bom, amo!… amar é dizer eu estou aí em ti e não em mim… amar é olhar para mim e sentir que só faço falta a ti e que me sobro a mim próprio… amar é tão simplesmente isso: querer estar naquele que precisa de mim mesmo que isso queira dizer que me perca, que deixo de ser o que sou ou o que gostaria de ser, mesmo que signifique a dor e a perda que tanto abomino e não desejo… para amar basta apenas querer amar… e a lágrima escorre pela minha face e a dor é forte mas, eu quero amar!…”

quinta-feira, 3 de junho de 2010

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Imagina

"...imagina o sonho de quem sonha e sem sonhos se deleita com o sonho que sonha mas que sabe não passar de um sonho... imagina o sonho de quem sonha tudo o que pode ser sonhado, num dia solarengo como numa noite de um céu estrelado...e sonhando me deixo vogar pelas palavras que são as únicas realidades que possuo para em frases desenhar o sonho em que sempre, e só, flutuo..."

terça-feira, 1 de junho de 2010

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Nuno

...Nuno, é o meu primogénito
...faz hoje 40 anos que me deu a alegria de passar a ser pai
...longa caminhada esta que nos levou por estradas tão diversas
...sendas percorridas com risos e lágrimas
...metas que não estão escolhidas mas que serão atingidas
...com esperança no peito e um sorriso na alma
...parabéns, meu filho
...um beijo grande

sábado, 29 de maio de 2010

Pintar a tela do teu ser

“…gosto de desenhar no meu corpo a pura entrega de quem ama… gosto de desenhar na minha alma a luz dessa verdade… escrever com os meus olhos a leitura da saudade… garatujar nos sons as palavras sussurradas… saborear na boca, nos lábios a doçura do mel do teu beijo desenhado desejo de quem procura o abraço esperado… gosto de desenhar nos teus ouvidos as letras que formam os sentidos… desenhar, por fim, já por sobre o esboço da obra final de quem no auge do encontro sente-se sonho sabendo ser real… pairar na tela do teu corpo e desenhar as cores do amor que num todo se move completo no ser que temos por modelo… e sendo-o, tê-lo, possuí-lo e transformar a obra num plano final que dá ao desenho o toque especial como que uma assinatura sobre a obra acabada… depois, ficar a mirar tudo o que havia sido feito para ter ali, na minha frente, a concretização do sonho e saber que todas as palavras ditas ou as desenhadas ou as escritas houveram sido assimiladas, saboreadas e entendidas como brotadas de dentro do meu ser… gosto de desenhar sim, no teu corpo, o meu eu e no fim ao olhar a tela preenchida em ti soubesse ali ter tudo o que havias querido da presença do meu amor…”

sexta-feira, 28 de maio de 2010

quinta-feira, 27 de maio de 2010

quarta-feira, 26 de maio de 2010

terça-feira, 25 de maio de 2010

Sentir

“... és sinónimo de paz, na palavra que me dás... és sinónimo de beleza nesse olhar profundo sem mácula de tristeza... és sinónimo de alegria no toque suave que em mim um teu sorriso cria... és sinónimo de paixão quando disfruto o bater mais forte do meu coração... és sinónimo de harmonia quando me beijas enlaçados em sintonia... és sinónimo de luz quando no escuro da noite teu amor me seduz... és sinónimo de serenidade quando no abraço matamos a saudade... és sinónimo de ternura quando na partida o teu olhar em meus olhos perdura... és sinónimo de puro amor quando nos afagamos com a alma e os corpos sem pudor... és saudável loucura quando sinto a nossa mútua procura e nos afogamos no delirar de um sentir que tudo é tão simples quando sabemos porque é que nos estamos a amar... és tudo o que um simples mortal busca na imortalidade que a qualquer um ofusca no silêncio do grito que amaina a febre do ruído que quebra tudo mesmo que fosse granito... és tudo o que o amor busca no olhar, no toque, no beijo que de momento em momento se reduz ao desejo, trazendo como prenda, tecido em flocos de doce renda, o caminho percorrido como sempre desejado, obtido e que a luz em nossos corações se acenda para num florir matinal ou num anoitecer normal, o doce sabor nos acorde ou nos adormeça em profunda certeza que o dia seguinte mais não será do que um novo fruir do amor que nos envolve e a cada momento nos devolve na mais plena pureza do aceno tão natural como há pouco sobre nós desceu... porque se te sinto minha, sei que me sentes teu...”

segunda-feira, 24 de maio de 2010

domingo, 23 de maio de 2010

sábado, 22 de maio de 2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

quinta-feira, 20 de maio de 2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Nunca te falei de amor

“... nunca te falei de amor... tenho falado imenso sobre como amar ou sobre o que é amar ou sobre a diferença entre o amar e o gostar... tenho falado muito sobre como é que sabemos quando estamos a amar, quando sabemos o que é amar... como é amar, porque amar é o único caminho... mas nunca te falei de amor... nunca te falei desse sentimento lindo que me envolve numa capa protectora e me faz sentir feliz e bem disposto... nunca te falei desse sentimento tão nobre e tão belo que nos faz sentir o principe dos contos de fadas... nunca te falei de amor apesar de já ter falado tanto de como amar-te... é fácil amar-te... é bom amar-te... é tão doce saber que te amo, que te estou amar como é doce saber que me amas, que me estás a amar... é tão simples e tão perene o saber que amamos, que nos amamos, que somos um só apesar de formados por dois seres distintos... é tão bom amar-te... tão simples amar-te... tão doce saber-me amado... pois, mas nunca te falei de amor... do que é o amor, de que é que ele é feito e do que é que ele nos faz... como tenho dito, quando falo de amar, amar é sofrer, por isso e em primeiro de tudo, o amor é dor... é uma dor que nos preenche o peito e se alastra pela alma adentro como se de uma doença se tratasse... depois, não tem cura e a febre sobe e o amor recrudesce e enobrece quem ama... o amor é o fruto do acto de estarmos a amar... por isso, o amor dói... é como se fosse um parto com dor, quando se ama... do acto de amar nasce o amor e desse nascer, dessa alvorada de luz, a dor povoa-nos e cerca-nos para o resto das nossas vidas... amar é tão simples, tão fácil, tão bom, tão doce... é apenas doarmo-nos ao outro numa entrega total e sem esperar nada no retorno... daí que seja fácil pois dar é apenas uma acção... o amor é o que nasce, o que vem, o que surge dessa acção, dessa atitude de dádiva... e, por isso, dessa dacção, dessa entrega, algo sai de nós, algo se desprende de nós e é esse algo que transforma o acto de amar numa dor profunda, numa dor quente, numa dor sem dor mas que dói... e é nessa dor que sentimos que se ama, é no sentir dessa dor que sabemos que estamos a amar e a sermos amados... é nessa dor que se nos revelamos um ao outro com a fusão de dois seres num só... e nessa fusão, o amor é... e ele só o é, ele só existe, ele só é real se nos fizer doer... e quão purificadora é essa dor, quão sereno é esse sofrer, esse acto de querer, esse acto de receber já que amar é dar, o amor é o que se recebe e nesse saber que temos algo que nos é dado pelo outro, sabemos porque a dor, a partir daí, se instala, vibra, arrepanha, angustia, inebria também, anestesia-nos e a dor se transforma, por aceitação, na mais doce forma de amarmos... se não sentires que te dói então é porque não amas... bendita, pois, a dor que me invade, que me transcende e me faz saber o quanto te amo!...”